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Nome de bairro, Marechal Rondon era indigenista, foi indicado ao Nobel da Paz e atuou em expedição com presidente dos EUA

Vizinho de Pirajá, Alto do Cabrito e Lobato, o bairro soteropolitano de Marechal Rondon foi rebatizado com este nome em 1973, em homenagem ao militar e indigenista Cândido Rondon, responsável por diversas expedições pelo interior do Brasil no início do século XX e pela construção de linhas telegráficas para melhorar a comunicação com o Centro-Oeste e o Norte do país.

29/03/2023 às 18h36
Por: Miquel Souzza Fonte: Assessoria de Comunicação.
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Reprodução / Imprensa.
Reprodução / Imprensa.
Rondon era considerado pelo antropólogo Darcy Ribeiro como o maior de todos os brasileiros. O militar ainda foi indicado ao prêmio Nobel da Paz pelo físico Albert Einstein, que, em uma carta escrita em 1925, recomendou a honraria ao marechal brasileiro.
“Rondon foi um dos personagens mais importantes do final do século XIX e início do século XX, no contexto dessas explorações feitas pelo país, inclusive entrando em contato com essas populações indígenas”, lembra o historiador Rafael Dantas.
O famoso indigenista também inspirou o nome do estado de Rondônia, municípios como Marechal Cândido Rondon (PR), Rondon (PR), Rondonópolis (MT) e Rondon do Pará (PA) e até mesmo bairros em outras cidades, como em Canoas (RS) e Porto Velho (RO), por exemplo.
Até o começo dos anos 70, a região onde hoje está Marechal Rondon, em Salvador, era chamada de Baixa do Dique, explica Dantas. A ocupação do território começa na década de 60, após uma série de enchentes em Salvador. “Algumas famílias são realojadas e acabam indo para a área que era conhecida como a região do Dique ou da Baixa do Dique”, afirma o historiador.
Essa população é formada principalmente por pessoas vindas do interior, que, na capital, não encontram de forma imediata residências no centro ou nos arredores do centro da cidade. Em um contexto de significativo aumento populacional, quando Salvador alcança 1 milhão de habitantes, essas pessoas acabam indo para regiões do subúrbio, como os bairros de São Caetano, Pirajá e Cabrito.
Nascido em Santo Antônio de Leverger, no Mato Grosso, em 1865, Cândido Mariano da Silva ingressou na Escola Militar do Rio de Janeiro aos 16 anos. O sobrenome Rondon foi incorporado posteriormente, em homenagem a um tio que o criou.
Símbolo do contato com populações indígenas, Rondon se tornou o primeiro diretor do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), criado em 1910, e foi um dos principais incentivadores da reserva indígena do Xingu – ele não chegou a ver a criação da área, em 1961, porque faleceu três anos antes.
Em uma de suas expedições mais famosas, esteve ao lado do então ex-presidente americano Theodore Roosevelt, na região amazônica. A viagem ocorreu entre 1913 e 1914, com o objetivo de mapear o Rio da Dúvida.
“Precisamos entender Marechal Rondon como um homem do seu tempo, um homem inserido nesse momento de reconhecimento das expansões das fronteiras do Brasil e também desse contato com as populações indígenas. Ele ficou conhecido como essa pessoa que teve esse contato, em um momento no qual o Brasil estava tentando se reafirmar como nação e conquistar os espaços que eram ditos como do Brasil”, destaca Dantas, ao comentar a importância histórica do militar.
Investimentos - Uma das localidades atendidas pela prefeitura-bairro de Liberdade-São Caetano, Marechal Rondon recebeu diversos investimentos recentes da prefeitura de Salvador, como a requalificação viária da Rua Sergipe, reformas da Escola Municipal de Marechal Rondon e da praça do final de linha na Rua Vicente Celestino, intervenção na Escadaria da Rua Diamante, iluminação de LED em todo o bairro, implantação de geomantas nas ruas do Golfo, José Lins e Padre Payton, além de reformas de casas do programa habitacional Morar Melhor.
Morador de Marechal Rondon há 30 anos, Antônio do Amor Divino, 65 anos, destaca a boa relação com os vizinhos e criou três filhos no bairro, onde atualmente vive com a esposa. “Há uns 15 anos, era apontado como um bairro violento, mas de lá para cá melhorou. Acho um bairro tranquilo. Morava na Rua Central, próximo ao Dique do Cabrito, e hoje moro em um condomínio”, afirma.
 
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