
O que era para ser a realização do sonho de enxergar melhor virou um verdadeiro pesadelo para dezenas de famílias em Salvador. A Clínica Clivan, localizada na Avenida Garibaldi, está no centro de um escândalo médico após cerca de 150 pacientes relatarem complicações graves após procedimentos oftalmológicos. O caso mais alarmante envolve a perda total da visão de, pelo menos, quatro pessoas.
A situação é de extrema gravidade. Relatos colhidos apontam que, após participarem de um mutirão de cirurgias de catarata — a maioria encaminhada pelo SUS —, os pacientes começaram a sentir dores insuportáveis, inchaço e sangramento. Em casos extremos, a infecção bacteriana foi tão agressiva que médicos de outras unidades precisaram realizar a remoção do globo ocular de pacientes para evitar que a bactéria atingisse o cérebro.
Interdição e Investigação Diante da avalanche de denúncias, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) agiu rápido e interditou temporariamente a clínica. O alvará sanitário foi suspenso e um processo administrativo foi instaurado para apurar se houve falha nos protocolos de esterilização e segurança biológica. A Prefeitura de Salvador também suspendeu imediatamente o convênio com a unidade.
Muitos dos afetados são idosos vindos tanto da capital quanto do interior do estado, como o caso de uma paciente de Acajutiba que viajou quilômetros em busca da cura e hoje luta para não ficar cega.
O que dizem os envolvidos Em nota, a Clivan afirmou que segue rigorosamente todos os protocolos de segurança e classificou os episódios como "pontuais", reforçando que realiza mais de oito mil cirurgias anualmente. O Cremeb (Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia) já iniciou fiscalização e informou que abrirá sindicância para apurar as responsabilidades ético-profissionais.
Para o advogado das vítimas, o volume de casos — que inclui denúncias que remontam a 2022 — sugere um problema recorrente que agora atingiu um nível crítico.