
Sabe aquela correria de ter de ir ao supermercado comprar o pão e depois ainda dar um pulo à farmácia para comprar um analgésico? Isso pode estar com os dias contados. A Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira (2), um Projeto de Lei que autoriza a venda de medicamentos dentro dos supermercados em todo o Brasil. O projeto já tinha passado pelo Senado em 2025 e agora só depende da caneta do presidente Lula (PT) para virar realidade. Um autêntico "adianto" para a rotina!
Mas não é bagunça, viu?
Se pensa que vai encontrar caixas de remédios misturadas com os pacotes de arroz e feijão nas prateleiras, pode tirar o cavalinho da chuva. A proposta exige que haja uma separação clara entre os medicamentos e os restantes produtos do espaço.
Além disso, a lei obriga a presença de um farmacêutico durante todo o horário de funcionamento daquela secção. Ou seja, será uma verdadeira farmácia a funcionar dentro do supermercado. E para os medicamentos de uso controlado, o esquema continua rígido: a restrição mantém-se e a entrega só é feita diretamente ao cliente após o pagamento.
Treta e fuzuê na política
A aprovação não foi pacífica e rendeu o maior debate entre os deputados. De um lado, há quem defenda que a medida vai aliviar o bolso da malta devido à concorrência. "É como se fosse uma farmácia dentro do supermercado. É uma decisão pró-consumidor, porque a tendência é aumentar a concorrência e o preço diminuir", defendeu o deputado Hildo Rocha.
Por outro lado, há quem ache a ideia um bocado barril. A deputada Maria do Rosário criticou a medida, temendo um incentivo ao consumo desenfreado de remédios: "A farmácia e o medicamento são equipamentos de saúde. O supermercado não pode virar farmácia, porque estamos a incentivar a cultura da automedicação".