
A família de Preta Gil deixou claro que com intolerância religiosa não tem conversa fiada. Os familiares da cantora seguem firmes com uma ação por danos morais contra o padre Danilo César de Sousa Bezerra, de 31 anos, que atua na paróquia de Areial, no Agreste da Paraíba. O processo, que corre na 41ª Vara Cível do Rio de Janeiro, cobra uma indenização de R$ 370 mil.
Mesmo após o religioso ter costurado um acordo com o Ministério Público Federal (MPF) para evitar o processo criminal, a família de Preta bateu o pé e manteve a ação cível. O objetivo é que haja um reconhecimento formal da conduta ofensiva e preconceituosa que o padre teve em rede nacional.
Toda essa confusão pesada rolou no dia 27 de julho do ano passado, durante uma missa transmitida ao vivo pelo YouTube. Na ocasião, o padre fez comentários absurdos associando o câncer colorretal enfrentado pela cantora à sua fé em religiões de matriz afro-indígena.
Ele ainda usou o púlpito para chamar as práticas de "coisas ocultas" e chegou a desejar que o diabo levasse quem as praticasse. Após a repercussão negativa e a revolta do público, o vídeo foi tirado do ar, mas o estrago já estava feito.
Em fevereiro deste ano, o padre firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o MPF, que o obrigou a assinar um termo confessando a conduta ilícita e a participar de atividades contra o racismo religioso.
Porém, na esfera cível, o discurso da defesa do religioso mudou. Os advogados do padre alegam que ele estava apenas "manifestando sua própria fé" e não reconhecem a responsabilidade pelos danos.
Essa postura revoltou a família Gil. O advogado baiano Fredie Didier, que representa a família, apontou que o acordo criminal exige o reconhecimento da atitude intolerante e que essa tentativa do padre de se esquivar no processo cível pode ser interpretada como um descumprimento judicial. A treta segue no Judiciário, levantando mais uma vez o debate urgente sobre o limite entre a liberdade de expressão e o crime de racismo religioso.