
A gente sabe que o baiano é retado e trabalha duro, mas no final do mês a conta não tá batendo. Uma nova pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) jogou uma água fria no bolso da nossa gente: a Bahia agora tem o segundo rendimento médio mais baixo de todo o Brasil.
Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostram que o trabalhador baiano ganha, em média, apenas R$ 2.284 por mês. Se antes o nosso estado tinha o terceiro pior salário (entre 2024 e 2025), agora fomos ultrapassados pelo Ceará (R$ 2.394) e ficamos atrás apenas do Maranhão (R$ 2.228), que segura a lanterna do ranking nacional.
Mas afinal, por que a nossa renda tá tão baixa? A explicação principal é velha conhecida de quem bate perna nas ruas: a informalidade. Segundo Mariana Viveiros, supervisora do IBGE, o trabalho sem carteira assinada voltou a bater pico recorde na Bahia. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, a cada 10 pessoas que começaram a trabalhar recentemente, 8 entraram na informalidade (sem CLT ou CNPJ).
Esse excesso de vagas informais puxa a remuneração para baixo, gerando alta rotatividade e exigindo pouca especialização. Outro dado que liga o sinal de alerta é a educação: apenas 18% das pessoas ocupadas no estado possuem ensino superior completo.
Com o salário achatado, o poder de compra vai para o ralo. O economista Edval Landulfo, presidente do Corecon-BA, destaca que esse cenário gera um efeito cascata perigoso. "Não podemos ficar apenas preocupados com o crescimento econômico. Esse cenário reflete diretamente na qualidade de vida da população e perpetua a desigualdade", alertou.
Landulfo também colocou o dedo na ferida da disparidade de renda, lembrando que a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco: as mulheres negras na Bahia são as que enfrentam as maiores dificuldades e amargam os menores salários do estado.
Nem tudo é notícia ruim. Aqui na capital, o desemprego caiu. Salvador registrou uma taxa de desocupação de 8,9% em 2025, a menor desde o início da pesquisa em 2012! A cidade deixou de liderar o triste ranking de desemprego (posição que ocupava em 2024, com 13%), mas ainda figura com a 5ª maior taxa entre as capitais.
No estado da Bahia como um todo, o desemprego também caiu pelo terceiro trimestre seguido, chegando a 8,0% — a taxa mais baixa dos últimos 14 anos. É o baiano voltando pro mercado, mas ainda precisando lutar muito para ter um salário mais digno no bolso.