
O Carnaval de Salvador 2026 entregou tudo que a gente gosta: muita música, suor, encontros históricos e, claro, aquela dose de polêmica que não pode faltar. Mas, pelo que se viu nos circuitos, especialmente no Dodô (Barra-Ondina), o clima em cima de alguns trios elétricos foi de egos à flor da pele. Entre reclamações de horários e indiretas nas redes sociais, ficou a reflexão: até que ponto a vaidade dos artistas importa para quem está lá embaixo na pipoca e nos blocos?
A confusão começou com a tradicional matemática dos horários dos desfiles. O ícone Bell Marques não escondeu a insatisfação no domingo (15) e reclamou publicamente do andamento da fila, atribuindo o engarrafamento na avenida ao caminhão do Olodum, que desfilava à frente do seu bloco, o Camaleão.
Como na Bahia nada passa batido, no dia seguinte foi a vez do afoxé Filhos de Gandhy cobrar postura. Direto do alto do trio, na concentração, um porta-voz do tapete branco exigiu respeito ao horário de saída. Bell não deitou e respondeu na hora no microfone, afirmando que o Camaleão é um dos que menos atrasam na folia. O clima ficou tenso, a falta de alinhamento ficou evidente, mas o entretenimento para quem estava na rua foi garantido!
Outro momento que deu o que falar envolveu Daniela Mercury. A Rainha do Axé foi à Justiça questionar a ordem dos desfiles. Com o peso de quem lançou obras-primas como O Canto Da Cidade (1993) e ajudou a moldar a história da nossa música, a cantora cobrou o respeito à sua trajetória. Um direito legítimo, afinal, o espaço dos pioneiros tem que ser preservado e a organização do evento precisa estar aberta ao diálogo.
Enquanto isso, no mundo digital, a briga foi pela coroa. O cantor Tony Salles soltou críticas veladas à conquista de Ivete Sangalo nas enquetes de "Música do Carnaval", gerando um verdadeiro bafafá. A postura foi vista por muitos foliões como desnecessária, desviando a atenção da música para um campo pessoal que pouco acrescenta ao brilho da festa.
No fim das contas, a tentativa de alguns artistas de medir forças e inflar o ego não muda a essência da nossa maior festa. O soteropolitano e o turista não querem saber de briga de bastidor, eles querem é entrega, repertório brocante e energia lá em cima. A resposta do povo não é dada no microfone, mas sim na escolha de quem eles vão seguir pelas ruas.
O maior exemplo disso foi a passagem arrebatadora do BaianaSystem. Sem precisar entrar em polêmicas ou disputas de ego, Russo Passapusso e companhia arrastaram uma multidão hipnotizada apenas pela força do som e da mensagem. Como diz a própria letra da banda: "Nas veias abertas da América Latina, tem fogo cruzado queimando nas esquinas". No final, o Carnaval é de quem tá na rua metendo dança!