
O pré-Carnaval de Salvador fechou com chave de ouro e muito sopro nesta quarta-feira (11). O tradicionalíssimo Habeas Copos transformou o trecho entre o Porto da Barra e o Morro do Cristo em um verdadeiro baile a céu aberto, provando que a folia também se faz com elegância, memória e marchinha.
A festa, que marca o encerramento oficial das prévias carnavalescas, reuniu cerca de 20 atrações no famoso Circuito Sérgio Bezerra. O clima foi de pura nostalgia, relembrando os antigos carnavais onde o som vinha do chão e do pulmão, sem precisar de decibéis ensurdecedores de trios elétricos.
A grande estrela da noite, a banda Habeas Copos, entrou na avenida por volta das 22h, mas a festa começou cedo, às 19h. Com um time de peso formado por 100 músicos divididos entre sopro e percussão, a agremiação celebrou seus 48 anos de desfile.
O fundador e "pai" do circuito, Sérgio Bezerra, não escondeu o orgulho. "Esse reconhecimento das fanfarras – uma tradição que vem dos antigos carnavais de cidades como Veneza – é motivo de muito orgulho. O circuito acústico é uma grande vitória", afirmou.
Se em anos anteriores Bell Marques e Saulo foram os homenageados, em 2026 o Habeas Copos decidiu aplaudir quem trabalha nos bastidores. A honraria foi para o Conselho Municipal do Carnaval (Comcar), o órgão que organiza, fiscaliza e defende a festa.
"Todo esse aparato não seria possível sem essa contribuição", explicou Sérgio, reconhecendo o valor de toda a cadeia produtiva, desde os cordeiros até os grandes produtores.
Para Isaac Edington, presidente da Saltur, o desfile é a prova da diversidade da nossa folia. "O Habeas traduz essa Salvador plural, criativa e cheia de memória. O pré-Carnaval deste ano é um sucesso absoluto, com ruas cheias e economia aquecida", celebrou.
E não foi só o Habeas que brilhou! A noite contou com a irreverência de blocos que são a cara da Bahia, como Xupisco, Pinguço, Cachasambeiro, 100 Comentários e o impagável Contaminados pela Pichuinha.