
Quem passou pelo Largo da Mariquita nos últimos dias já percebeu: a Sereia do Rio Vermelho está com um brilho de dar inveja! A icônica obra do saudoso mestre Tatti Moreno passou por uma restauração completa, finalizada estrategicamente às vésperas da maior festa de rua dedicada à Rainha do Mar. A ação foi capitaneada pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), garantindo que o patrimônio artístico da nossa cidade esteja impecável para o burburinho deste 2 de fevereiro.
O processo de "banho de loja" da Rainha foi conduzido pelo professor e restaurador José Dirson Argolo. Apesar de ser feita de fibra de vidro — o que ajuda a segurar a onda contra a maresia —, a peça sofria com o desgaste do tempo, pichações e a colagem indevida de cartazes. Agora, a Sereia ostenta uma nova camada de tinta automotiva dourada, escolhida a dedo para aguentar o sol de "rachar mamona" e a chuva da Bahia.
"A requalificação da Sereia reafirma o nosso compromisso com a valorização da cultura afro-baiana e com a força simbólica de Iemanjá", destacou Fernando Guerreiro, presidente da FGM.
O trabalho não foi moleza e durou cerca de dez dias. Além da escultura em si, o pedestal de concreto, que estava bastante castigado e cheio de perfurações, foi totalmente reconstruído.
Para Argolo, a obra é uma das mais imponentes de Tatti Moreno (faleecido em 2022), dividindo o protagonismo com os Orixás do Dique do Tororó. "Ela representa Iemanjá com elementos como o abebé em forma de estrela e referências à fecundidade e à fartura de peixes da nossa Baía", explicou o restaurador.
Com a casa arrumada, a Sereia volta a ser parada obrigatória no roteiro de fé e fotos de quem vai ao Rio Vermelho agradecer ou pedir proteção à Mãe das Águas Salgadas.