
O clima de Carnaval antecipado em Salvador ganhou um tom sério nesta terça-feira (27). A cantora Ivete Sangalo, maior ícone da nossa música e voz que comanda multidões, tornou-se alvo de uma denúncia no Ministério Público da Bahia (MP-BA). O motivo? A participação de uma criança no palco durante uma de suas apresentações nesta temporada de verão de 2026.
A queixa, que repercutiu nacionalmente através da coluna de Fabíola Reipert (R7) e portais locais, aponta que a criança teria sido exposta a uma situação de "erotização precoce" ao ser incentivada a dançar coreografias de uma música com letra de duplo sentido — o nosso famoso "pagodão", que domina os paredões, mas que agora virou pauta jurídica.
O X da Questão: Diversão ou Exposição?
Quem acompanha os shows de Ivete sabe que a interação com os "zamurinhos" é praxe. A cantora costuma chamar fãs mirins para o palco, brincar e deixar a espontaneidade rolar. No entanto, a denúncia questiona o limite dessa interação.
Segundo o relato protocolado, a coreografia executada pela criança e o teor da letra da música (hit das apostas para o Carnaval) seriam inadequados para a idade, violando princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O MP-BA agora tem a missão de analisar as imagens e decidir se há fundamentos para instaurar um inquérito civil ou se a situação não passou de um momento lúdico mal interpretado.
O Outro Lado da Moeda: Ivete e o MP-BA
Para quem tem memória curta, o caso traz uma ironia gigante. A nossa equipe do Salvador Show levantou que Ivete Sangalo é, historicamente, uma das maiores parceiras do próprio Ministério Público da Bahia.
Em anos anteriores (como em campanhas de 2012, 2014 e 2016), Veveta foi a garota-propaganda oficial de campanhas de Combate à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Na época, a cantora cedeu sua imagem gratuitamente para conscientizar a população sobre a importância de proteger os menores, com o slogan "Quem não denuncia, também violenta".
Essa contradição entre a "madrinha" das campanhas de proteção e o alvo da denúncia atual deve ser um ponto central na defesa da artista, caso o processo avance. Até o momento, a assessoria de Ivete não se pronunciou oficialmente sobre a notificação.
A Repercussão nas Redes
Na internet, o tribunal do júri já começou. De um lado, mães e ativistas cobram rigor na seleção do repertório quando há menores envolvidos. Do outro, fãs defendem a cantora, alegando que a dança na Bahia é cultural e que não houve malícia na atitude de Ivete.
"A maldade está nos olhos de quem vê, Ivete é mãe e jamais exporia uma criança" defendeu um fã no X (antigo Twitter).
"Criança não tem que dançar letra de sentada e macetada, tem hora pra tudo", retrucou outro internauta.
O Salvador Show segue acompanhando cada desdobramento dessa história que promete render muito pano pra manga até o Carnaval.