
Se você viveu o auge do pagodão baiano no final dos anos 90, é impossível que não tenha feito a coreografia dos "braços de galinha" pelo menos uma vez.
Estamos falando da Raça Pura, uma banda que não só marcou época, mas definiu a trilha sonora de muitos carnavais e verões aqui na nossa terra.
Com um som que eles autodenominavam "sambaiana" (uma mistura gostosa de samba com a pegada da Bahia), o grupo liderado pelo vocalista Denny Palma foi um verdadeiro estouro.
O Fenômeno de 1999
O ano era 1999 e Salvador fervia. Foi nessa época que o álbum "O Pinto" chegou às lojas e, num piscar de olhos, o Brasil inteiro estava cantando o refrão de duplo sentido: "O pinto do meu pai fugiu com a galinha da vizinha...".
O sucesso foi tão barril dobrado que o disco vendeu mais de 100 mil cópias, garantindo o Disco de Ouro para a banda. Não tinha um programa de TV, do Faustão ao Domingo Legal, que não quisesse a presença deles. E não parou por aí: quem não lembra de "Juliana"? "Samba Juliana, samba Juliana..." virou hino nas festas de largo e nos paredões, consagrando a Raça Pura como uma das potências do nosso ritmo.
Altos e Baixos: A Era Capetinha e a Pausa
No auge da fama, a banda era gerenciada por ninguém menos que Edílson Capetinha, ex-jogador e ídolo do futebol. Porém, como nem tudo são flores, divergências administrativas acabaram levando ao fim da formação clássica por volta de 2001.
Foi um período duro para o vocalista Denny Palma, que chegou a enfrentar a depressão e trabalhou como vendedor longe dos holofotes. Mas quem tem dendê no sangue não desiste fácil. A história da Raça Pura é também uma história de superação e amor à música baiana.
O Retorno Triunfal
Para a alegria da nação pagodeira, a banda retomou as atividades com força total a partir de 2019. Denny Palma voltou a assumir os vocais, trazendo aquela nostalgia gostosa do "Pagodão das Antigas" que a gente ama. Hoje, eles seguem na ativa, mostrando que música boa não tem validade e que a Raça Pura continua com aquele molho que só a Bahia tem.
A banda segue sendo referência obrigatória quando falamos da construção da identidade do nosso pagode. É ou não é de arrepiar lembrar dessa época?