
O Centro Histórico de Salvador pulsou mais forte nesta quarta-feira (21). O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) foi o palco de um encontro necessário e emocionante para marcar o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
Com o lema "Respeitar é sagrado", o evento promovido pela Secretaria Municipal da Reparação (Semur) transformou o museu em um território de paz, diálogo e, acima de tudo, união entre as diferentes fés que moldam a identidade soteropolitana.
A abertura não poderia ser diferente na nossa terra: o toque ancestral dos atabaques ecoou, saudando as tradições de matriz africana e preparando o espírito dos cerca de 100 participantes. O rito inicial deu o tom de uma programação que misturou política pública com a força da espiritualidade.
Para a secretária da Reparação, Isaura Genoveva Neta, a ação é um pilar fundamental para a nossa cidade. "Salvador é a capital afro. O dia 21 de janeiro não poderia passar sem uma ação concreta de diálogo. Trouxemos lideranças católicas, evangélicas, espíritas, da umbanda e do candomblé para mostrar que a diversidade precisa ser acolhida", destacou a gestora.
Quem também reforçou o coro do respeito foi o Padre Lázaro, da emblemática Igreja do Rosário dos Pretos. Para ele, o papel da religião é ser ponte, nunca muro. "As religiões precisam criar respeito entre si para construir um mundo de justiça. Quando a religião é usada para perseguição, ela deixa de cumprir sua missão", pontuou o capelão.
O professor e antropólogo da UFBA, Wilson Caetano, trouxe a perspectiva histórica para o debate, lembrando que a data é fruto de uma luta coletiva contra o racismo religioso que, infelizmente, ainda tenta ferir as comunidades de terreiro. A mensagem final do encontro foi clara: em Salvador, a diferença não é barreira, é riqueza.