
Aquele comprimidinho de Omeprazol tomado em jejum, que já virou ritual para muita gente que sofre com azia e refluxo, voltou ao centro das discussões nesta semana. Um estudo conduzido por pesquisadores da Unifesp e da Faculdade de Medicina do ABC, publicado na revista científica ACS Omega, revelou que o uso contínuo da medicação em ratos causou desequilíbrios na absorção de minerais essenciais, como ferro e cálcio.
A notícia caiu como uma bomba nas redes sociais, mas o povo soteropolitano pode manter a calma: especialistas reforçam que o resultado em animais não significa que você deve jogar seu tratamento no lixo agora.
O que o estudo descobriu?
Os cientistas acompanharam ratos que receberam doses de omeprazol por até 60 dias. O resultado mostrou que a redução da acidez no estômago — que é justamente como o remédio funciona — acabou dificultando a absorção de nutrientes. Entre os principais pontos de alerta estão:
Risco de Anemia: Queda nos níveis de ferro circulante no sangue.
Saúde Óssea: Aumento de cálcio no sangue, o que pode indicar que o mineral está saindo dos ossos (processo que leva à osteoporose).
Imunidade: Mudanças no padrão de células de defesa do organismo.
Especialistas pedem cautela (e nada de pânico!)
Apesar dos dados chamarem a atenção, a gastroenterologista Lourianne Cavalcante, professora da UFBA, destaca que estudos em animais servem para levantar hipóteses e não para decretar riscos imediatos em humanos. O omeprazol é uma das drogas mais seguras e estudadas do mundo quando usada da forma correta.
"Estamos falando de um estudo experimental. O omeprazol continua sendo fundamental para tratar úlceras e prevenir complicações graves. O perigo real não é o remédio, mas a automedicação por anos a fio sem um médico acompanhando", explica a especialista.
Fique de olho: A nova regra da Anvisa
Vale lembrar que, desde o final de 2025, a Anvisa liberou a venda de omeprazol 20mg sem receita, mas com uma condição: as embalagens são menores, voltadas para tratamentos de apenas 14 dias. Se a queimação não passar em duas semanas, pai, não adianta insistir no erro: é hora de procurar um "doutor".