
Se você viveu a efervescência cultural de Salvador entre o final da década de 80 e o início dos anos 90, certamente sabe que o samba não se aprendia apenas no colégio, mas sim nas rodas de "samba duro" que tomavam conta dos bairros populares. E nesse cenário, poucos nomes brilharam com tanta autenticidade quanto a banda Nossa Juventude.
Nascida no coração do bairro do Pau Miúdo, a banda não foi apenas um grupo musical; foi um fenômeno de massa que traduziu a alegria e a "quebradeira" do povo soteropolitano.
A história da Nossa Juventude se confunde com a própria história do pagode baiano. No final da década de 80, Salvador vivia o auge dos Blocos Afro e do Axé, mas nos bairros como Pau Miúdo, Garcia e Engenho Velho de Brotas, o "Samba Junino" e o "Samba Duro" pulsavam fortes.
Foi nesse caldeirão que surgiu a Nossa Juventude. Diferente das bandas de Axé que focavam na guitarra baiana, a Nossa Juventude apostava na percussão pesada, no cavaquinho chorado e, principalmente, na interação visceral com o público.
Originalmente, o grupo começou como uma reunião de amigos e familiares — uma característica clássica dos grupos de samba da época. Eles tocavam em festas de largo, lavagens e nos famosos ensaios de bairro, onde construíram sua base fiel de fãs muito antes de gravarem o primeiro disco.
A "cara" e a "voz" que eternizaram a Nossa Juventude atendem pelo nome de Lu Costa. Com um timbre potente e uma capacidade única de comandar a massa, Lu transformou os shows da banda em verdadeiros cultos ao samba. Ao lado de seu irmão, JF, e de uma banda afiada na percussão, eles criaram uma identidade sonora inconfundível.
Não podemos esquecer da figura icônica de Pepe, o dançarino (anão) que se tornou mascote e símbolo da alegria irreverente do grupo, mostrando que o pagode baiano era, acima de tudo, diversão e inclusão.
Se houve um hino que definiu a trajetória da banda, esse hino foi "Bicho Bichão".
"Olha o bicho, bichão! / Chegou para abalar / Bicho, bichão..."
Essa música não apenas tocava nas rádios; ela era entoada em estádios, micaretas e paredões. A Nossa Juventude tinha o poder de fazer o "chão tremer" com o que chamavam de "Samba da Galera".
Outro ponto crucial na trajetória da banda foi a autoria e popularização de hits que ganhariam o Brasil. Muitos não sabem, mas sucessos estrondosos como "Dig Dig Lambe Lambe" (que explodiu nacionalmente com o Gera Samba/É o Tchan) faziam parte do repertório raiz da Nossa Juventude e de seus compositores parceiros. Eles foram pioneiros em uma levada que o Brasil inteiro viria a copiar.
Outras faixas inesquecíveis incluem:
"Tá Legal" (Viola, viola...)
"Samba não se aprende no colégio"
"Diz que me ama" (lado romântico do pagode)
A trajetória da banda nos anos 80 e 90 também é marcada pelos locais onde tocavam. Quem é da época lembra dos shows na Codeba, no Clube de Regatas Itapagipe e nas casas de show da Cidade Baixa e Periperi. A Nossa Juventude era a banda do povo; eles não precisavam da mídia nacional para lotar casas de show em Salvador — o boca a boca e a fidelidade do público garantiam casa cheia.
A Nossa Juventude é considerada uma das "mães" do Pagodão Baiano moderno. Bandas que vieram depois, como Harmonia do Samba, Psirico e Parangolé, devem muito à estrutura de show e à pegada percussiva que grupos como a Nossa Juventude (e o Grupo Raça, Gera Samba) estabeleceram.
Eles provaram que o samba da Bahia tinha uma identidade própria: mais percussivo, mais rápido e feito para dançar até suar. Mesmo após mudanças na formação e o passar das décadas, o nome Nossa Juventude permanece gravado no panteão da música baiana como sinônimo de alegria, bairro e raiz.
(Composição: J. Teles / J.F)
Esta é a letra que você precisa para a matéria. Ela é considerada o hino do "Samba Duro".
Intro: Eu sei Que tem muita gente que gosta Pessoas que ainda não conhecem A swingueira que essa banda sempre toca Soterapolitanos, tocamos com amor Fenômeno da música baiana Se liga, moçada, que eu sou...
Refrão (O Clássico): Bicho, bichão que chegou pra abalar Bicho, bichão, sou! Esquerda, direita... rodo, rodo! Cabeça, cabeça... rodo, rodo!
Bicho, bichão que chegou pra abalar Bicho, bichão, sou! Esquerda, direita... rodo, rodo! Cabeça, cabeça... rodo, rodo!
Estrofe: Swing, swing, swing É swingueira, segura o porradão Que a Nossa Juventude é... Bicho, bichão!
Swing, swing, swing É swingueira, segura o porradão Que a Nossa Juventude é... Bicho, bichão!
(Repete Refrão)