
Se você viveu o verão baiano no início da década passada, é impossível que a frase "Sua música..." seguida de um som de metais pesados não ative uma memória coreográfica imediata em sua mente.
Estamos falando do LevaNóiz, a banda que transformou super-heróis em ícones do pagode e cravou seu nome na história da música popular brasileira.
Muitos fãs novos não sabem, mas a base do LevaNóiz foi construída muito antes dos super-heróis. A formação inicial contava com Anderson Menezes (o Dig Dig), Alisson Max e Nenel. Foi esse trio que pavimentou o caminho nas casas de show de Salvador, criando a identidade percussiva que a banda carrega até hoje. Eles prepararam o terreno para o fenômeno que viria a seguir.
O auge midiático da banda veio com a entrada de André Rhamon. Em 2011, o LevaNóiz parou o Brasil. A música "Liga da Justiça" não foi apenas a Música do Carnaval daquele ano; foi um fenômeno cultural.
O Impacto: Crianças, adultos e idosos faziam a coreografia do "foge, foge, Mulher Maravilha".
Outros Hits: A voz de André também eternizou sucessos como "Bolimbolacho" e "Pancadinha". Ele saiu da banda em 2013, deixando seu nome marcado na história do Axé e Pagode.
Quando muitos achavam que a banda viveria apenas de nostalgia, o LevaNóiz mostrou sua força de renovação. A chegada de Mateus Lima aos vocais trouxe um novo gás, conectando a banda com a geração do TikTok e das redes sociais.
A prova de fogo foi o verão de 2025, com o hit "Suco de Bahia".
"Puro suco de Bahia, ela tem o dendê..."
A música dominou os paredões e as academias, reafirmando que o LevaNóiz entende a linguagem das ruas. Mateus Lima conseguiu a proeza de respeitar o legado da banda enquanto imprime sua própria identidade jovem e atual.
Seja com a mãozinha para frente voando como Superman ou descendo até o chão com o "Suco de Bahia", o LevaNóiz nos ensina uma lição importante: a música da Bahia é cíclica, mas a alegria é eterna.
Nascida no berço fértil da musicalidade de Salvador, a banda LevaNóiz surgiu com a proposta de renovar a "swingueira" — uma vertente mais percussiva e acelerada do pagode baiano.
Embora muitos associem a nostalgia do pagode aos anos 90, o LevaNóiz foi fundamental para trazer essa energia para uma nova geração. Sob o comando do carismático vocalista André Ramon, a banda começou a ganhar tração nas festas de bairro e nos "paredões" da capital baiana. O diferencial? A mistura de letras de duplo sentido (clássicas do gênero) com brincadeiras lúdicas e coreografias que pareciam feitas sob medida para viralizar, antes mesmo do termo "viralizar" ser comum.
O ponto de virada na carreira da banda — e o momento em que eles furaram a bolha da Bahia para conquistar o Brasil — aconteceu entre 2010 e 2011. A música? "Liga da Justiça".
A canção não era apenas um hit; era um evento performático. A letra narrava uma situação inusitada onde o Super-Homem ficava fraco ao ver a Mulher Maravilha e precisava fugir.
"Foge, foge, Mulher Maravilha / Foge, foge, com o Superman..."
O sucesso foi avassalador por três motivos principais:
A Coreografia: O passo simulando o voo do Super-Homem e a "corridinha" no refrão se tornaram obrigatórios em todas as academias de dança e festas do país.
O Lúdico: Ao trazer personagens de quadrinhos para o universo do pagode, a banda conquistou desde crianças até adultos.
O Carnaval de 2011: A música foi tão forte que desbancou grandes nomes do Axé Music e conquistou o troféu Dodô e Osmar de Melhor Música do Carnaval de 2011.
Naquele ano, não havia um trio elétrico sequer, de Ivete Sangalo a Chiclete com Banana, que não parasse para tocar o hit do LevaNóiz. O Brasil inteiro estava dançando com a mãozinha para frente, imitando o voo do herói.
Embora "Liga da Justiça" seja o carro-chefe, o LevaNóiz provou ter repertório. A banda também emplacou o sucesso "Bolimbolacho", que mantinha a pegada dançante e a interação com o público.
Hoje, ao olharmos para trás, o LevaNóiz representa um capítulo vibrante da música baiana. Eles provaram que o pagode da Bahia tem uma capacidade única de se reinventar, misturando a percussão pesada das ruas de Salvador com a cultura pop, criando uma alegria que atravessa o tempo.
Seja nos anos 90 ou 2010, a missão foi cumprida: eles levaram a alegria, levaram a dança... LevaNóiz.
Onde anda André Ramon? O "Superman" do Pagode
Uma excelente pergunta para quem acompanha a cena. Muitas vezes, após o estouro de um hit global como "Liga da Justiça", perdemos o rastro dos vocalistas quando eles deixam as bandas originais.
Aqui está o "raio-x" atualizado sobre o cantor:
André Ramon (que agora adota a grafia artística André Rhamon, com "H") deixou o LevaNóiz no final de 2013, ainda no auge da popularidade da banda.
Logo após a saída, ele lançou um projeto solo chamado "Ramon Brazil", buscando manter a pegada da swingueira que o consagrou, mas com uma nova identidade visual.
Diferente de muitos artistas do axé e pagode que permanecem em Salvador, André Rhamon mudou sua base. Em entrevistas recentes (como ao podcast Deu Bom Brasília), ele revelou que fixou residência em Brasília (DF), onde vive com sua esposa.
Atualmente, André Rhamon segue em carreira solo.
Agenda: Ele continua realizando shows pelo Brasil, focado principalmente em eventos nostálgicos e festas de micareta, onde ele é anunciado como "A Voz da Liga da Justiça".
Repertório: Seus shows são uma mistura de sucessos da época do LevaNóiz com músicas novas de trabalho, sempre mantendo a fidelidade ao pagodão baiano percussivo.
Redes Sociais: Ele é bastante ativo no Instagram (@andrerhamonoficial), onde compartilha a rotina de shows e a vida pessoal.
O "Superman" tirou a capa do LevaNóiz, mas não parou de voar. Ele segue levando a alegria do pagode baiano, agora como um artista veterano que carrega a medalha de ter protagonizado o maior hit do Carnaval de 2011.