
Em meio ao Centro Histórico de Salvador, o som dos tambores ecoa não apenas como música, mas como um grito de resistência e liberdade. Há mais de duas décadas, o Instituto A Mulherada atua como um farol de esperança e transformação social, utilizando a arte, a cultura e a educação popular para combater a violência doméstica e empoderar mulheres negras e comunidades periféricas.
Fundada e liderada por mulheres negras, a organização consolidou-se como uma referência na luta por direitos humanos na Bahia. Mas, para além dos discursos, qual é o impacto real dessa instituição na vida das pessoas? A resposta está na autonomia conquistada, no silêncio rompido e na construção de novas perspectivas de futuro.
Um dos carros-chefes do impacto social do instituto é o projeto "Tambores pelo Fim da Violência". Ao ensinar percussão e dança afro-brasileira, a iniciativa faz mais do que formar musicistas; ela utiliza a arte como uma ferramenta terapêutica e política.
Para muitas mulheres que chegam à instituição com a autoestima fragilizada por ciclos de violência, o contato com o instrumento musical é o primeiro passo para retomar o controle sobre o próprio corpo e a própria voz. O lema "Tocar Pode, Bater Não" resume a filosofia de que a energia deve ser canalizada para a criação e expressão, jamais para a agressão.
O impacto do Instituto A Mulherada também se estende à autonomia financeira, fator crucial para que muitas mulheres consigam sair de situações de vulnerabilidade. Através de projetos como o "Cultura Entrelaçada Preta", a organização oferece oficinas de música, teoria musical e confecção de adereços e acessórios.
Essas atividades capacitam jovens negros e pessoas LGBTQIAPN+ da periferia, oferecendo não apenas uma formação política e identitária, mas também ferramentas concretas para a geração de renda no mercado da economia criativa e do Carnaval de Salvador.
A atuação do instituto vai além das oficinas. A organização promove mensalmente Rodas de Conversa Temáticas, criando espaços seguros de escuta ativa e não julgadora. Nesses encontros, temas como racismo, direitos das mulheres e intolerância religiosa são debatidos, fortalecendo os laços comunitários e permitindo que as participantes percebam que não estão sozinhas.
Com planos futuros de implementar um Núcleo de Advocacy para apoio jurídico-social e um Núcleo da Mulher Empreendedora, o Instituto A Mulherada reafirma seu compromisso de atuar nas causas estruturais das desigualdades.
Ao longo de sua trajetória, o instituto já deixou marcos na cidade, como a publicação do livro Mulheres do Vento, Mulheres do Tempo, que resgata a memória de 100 mulheres negras baianas, e a articulação para a inauguração da estátua de Zumbi dos Palmares na Praça da Sé.
O Instituto A Mulherada prova, dia após dia, que o combate à violência e a busca pela equidade de gênero e raça se fazem com acolhimento, educação e, acima de tudo, com a valorização da identidade de quem transforma a dor em luta e a luta em arte.
Para saber mais ou apoiar: Acesse: www.amulherada.com.br